Se existe uma máquina que consegue traduzir perfeitamente o caos e a adrenalina de um “blockbuster” de verão dos anos 90, essa máquina é a Twister. Lançada em 1996 pela Sega Pinball, ela não apenas acompanhou o sucesso estrondoso do filme estrelado por Helen Hunt e Bill Paxton, mas também capturou a essência do que significa estar no olho de um furacão. Para quem gosta de um jogo rápido, barulhento e mecanicamente instigante, esse título é uma das joias mais divertidas — e muitas vezes subestimadas — da era Sega.
Jogar Twister é uma experiência sensorial completa. Não é apenas sobre bater na bola com os flippers; é sobre sentir o vento no rosto (literalmente) e observar o metal ser desafiado pelas forças da física. Se você já teve o prazer de ficar cara a cara com uma dessas em um fliperama escuro, sabe do que estou falando. Ela tem uma energia bruta que muitas máquinas modernas, apesar de toda a tecnologia, às vezes falham em replicar.
O rugido da Sega nos anos 90
Para entender a Twister, precisamos olhar para o que a Sega Pinball estava tentando fazer naquela época. Após comprar a divisão de pinball da Data East, a Sega estava em uma missão para provar que podia competir de igual para igual com a gigante Williams/Bally. Eles queriam máquinas que fossem “maiores que a vida”, com telas DMD grandes, som potente e brinquedos (os famosos “toys”) que realmente impressionassem o público.
O design de Twister ficou nas mãos de John Borg, um nome lendário que mais tarde assinaria sucessos como Iron Man e Metallica na Stern. Borg é conhecido por layouts rápidos e agressivos, e aqui ele não segurou a mão. A máquina foi lançada em um momento onde o pinball lutava por espaço contra o PlayStation e o Nintendo 64, então ela precisava ser visualmente impactante e oferecer algo que um console de mesa jamais conseguiria: movimento físico imprevisível.
Vento, vacas e o caos no Playfield
Visualmente, a Twister é um espetáculo de época. O backglass é icônico, trazendo a arte do filme com aquele tom cinzento e ameaçador de uma tempestade iminente. Mas o que realmente chama a atenção, antes mesmo de você colocar a primeira ficha, é o topper no topo da máquina: um ventilador industrial que se ativa em momentos cruciais do jogo. Pode parecer um “gimmick” simples, mas quando você entra em um modo de tempestade e sente aquela rajada de vento, a imersão vai para outro nível.
O playfield é uma explosão de cores frias e detalhes que remetem à destruição causada pelos tornados. Temos a famosa vaca voando, destroços espalhados e um layout que prioriza o fluxo contínuo. A trilha sonora é outro ponto alto. A Sega conseguiu os direitos de parte da trilha sonora original, incluindo o clima tenso das composições instrumentais, mas o que realmente move o jogador é o som dos ventos uivantes e os avisos de “Tornado Warning” que saem dos alto-falantes. Tudo nela grita urgência.
O coração da tempestade: Mecânicas e Gameplay
O que separa a Twister de outras máquinas da mesma safra é o seu mecanismo central: o spinning magnet (ímã giratório) localizado dentro de um recipiente que simula o dispositivo “Dorothy” do filme. Esse é, sem dúvida, um dos brinquedos mais geniais da década de 90. Durante o início do multiball, as bolas são capturadas por esse ímã que gira em alta velocidade, criando um turbilhão metálico antes de arremessá-las de volta para o campo de forma totalmente caótica. É o pinball simulando a imprevisibilidade da natureza.
O objetivo principal é progredir através dos diferentes níveis de tornados, do F1 ao devastador F5. Para chegar lá, você precisa dominar as rampas, que são surpreendentemente suaves para uma máquina da Sega. A rampa da esquerda é fundamental para acumular o “lock” das bolas, enquanto a rampa da direita costuma ser o caminho para os jackpots durante o modo multi-bola.
O fluxo do jogo é o que chamamos de “fan layout” (disposição em leque), o que facilita a leitura do jogo para novatos, mas não se engane: a velocidade com que a bola retorna do ímã central exige reflexos de ninja. Se você bobear, a bola vai direto para o “drain” central antes mesmo de você entender o que aconteceu. O Skill Shot também é interessante, exigindo que você controle a força do lançamento manual para acertar alvos específicos que multiplicam seus bônus de pontuação.
O que torna essa máquina um item de desejo?
Muitos puristas do pinball às vezes torcem o nariz para a Sega, alegando que a qualidade de construção não era a mesma das máquinas da Williams. No entanto, a Twister quebra esse preconceito com um gameplay sólido e uma manutenção relativamente simples para os padrões de colecionismo. Ela não tem mecanismos excessivamente frágeis, com exceção, talvez, do próprio ímã central, que exige uma limpeza frequente para não carbonizar a superfície do playfield.
Comparada com a The Addams Family ou Twilight Zone, a Twister é uma máquina muito mais direta ao ponto. Ela não tem regras tão profundas que exigem meses de estudo, mas ela tem o “fator diversão” lá no alto. É a máquina perfeita para ter em uma coleção residencial porque qualquer visita, mesmo quem nunca tocou em um fliperama, consegue entender o objetivo e se divertir com o ventilador e as bolas girando no centro.
Dúvidas frequentes de quem quer entrar no olho do furacão
Se você está pensando em adquirir uma ou apenas quer saber mais sobre a viabilidade dessa máquina hoje em dia, aqui vão alguns pontos que sempre surgem nas rodas de conversa entre colecionadores.
A manutenção é difícil? No geral, não. O sistema eletrônico Whitestar da Sega é muito robusto e fácil de diagnosticar. O maior cuidado é com o motor do ventilador e o desgaste do playfield ao redor do ímã. Usar um protetor de Mylar naquela região é obrigatório para preservar a arte original.
Ela é uma máquina rara? Não diria rara, mas está se tornando cada vez mais difícil de encontrar em bom estado. Muitas foram “moídas” em shoppings e fliperamas de rua devido ao seu apelo popular na época. Encontrar uma com o gabinete sem desbotamento e com o topper original funcionando é um achado valioso.
Vale o investimento? Para quem busca um pinball de entrada com um tema forte e mecânicas divertidas, a Twister oferece um excelente custo-benefício. Ela costuma ser mais barata que os títulos “AAA” da Bally/Williams, mas entrega uma experiência de jogo tão emocionante quanto.
O veredito de um apaixonado
A Twister da Sega é o exemplo perfeito de como um bom tema, aliado a uma mecânica central inovadora, pode criar um clássico duradouro. Ela não tenta ser a máquina mais complexa do mundo; ela quer que você sinta a adrenalina de caçar tempestades. É barulhenta, é rápida e é imensamente satisfatória.
Quando você consegue travar as bolas no ímã e o ventilador começa a girar, o mundo ao redor desaparece e sobra apenas você contra a fúria da natureza em miniatura. Para qualquer entusiasta que preza pelo prazer imediato do jogo e por uma estética marcante dos anos 90, essa máquina não é apenas uma peça de museu — é uma força da natureza que ainda tem muito fôlego para soprar.








