Você entra em uma sala escura, o som sintetizado de uma dimensão desconhecida começa a ecoar e, de repente, você não está apenas diante de uma máquina de pinball, mas atravessando o limiar da realidade. Se você frequentou fliperamas nos anos 90, sabe exatamente do que estamos falando. A Twilight Zone, lançada em 1993, não é apenas uma mesa; é uma experiência sensorial que desafia as leis da física e a habilidade de qualquer jogador.
Neste artigo, vamos explorar por que esta mesa é considerada por muitos colecionadores como a melhor já fabricada na história, desvendando seus segredos tecnológicos e a genialidade por trás de seu design.
A Era de Ouro e a Genialidade da Bally/Williams
Lançada em abril de 1993 pela Bally (sob o guarda-chuva da Midway/Williams), a Twilight Zone (TZ) surgiu no auge do que chamamos de “Era de Ouro” do pinball moderno. O projeto foi liderado por ninguém menos que Pat Lawlor, o lendário designer que já havia quebrado recordes com The Addams Family.
Lawlor recebeu carta branca (e um orçamento quase ilimitado) para criar a mesa de seus sonhos. O resultado foi uma máquina da categoria “SuperPin”, que utilizava um gabinete mais largo (widebody) para acomodar uma quantidade insana de brinquedos, rampas e mecanismos que nunca haviam sido vistos antes em um fliperama. O contexto era de pura competição tecnológica: as fabricantes lutavam para ver quem criava a experiência mais imersiva antes que os consoles de videogame dominassem o mercado de entretenimento.

O Enredo: Uma Dimensão Além da Imaginação
Baseada na clássica série de TV de Rod Serling (conhecida no Brasil como Além da Imaginação), a mesa captura perfeitamente a atmosfera surrealista do show. O objetivo não é apenas bater nas canaletas; é colecionar “portas” que levam a diferentes modos de jogo, cada um baseado em um episódio icônico da série.
Desde a icônica mola espiral até a Powerball de cerâmica, tudo na Twilight Zone foi desenhado para fazer o jogador se sentir em um mundo onde o impossível acontece.
Curiosidades e Inovações Tecnológicas
A Twilight Zone é famosa por introduzir ou popularizar recursos que até hoje deixam os técnicos e jogadores de queixo caído. Confira alguns dos fatos mais fascinantes sobre esta máquina:
- A Powerball de Cerâmica: Talvez a maior inovação da TZ. É uma bola branca feita de cerâmica que é mais leve, mais rápida e não é afetada por imãs. Isso cria um caos estratégico quando ela entra em jogo.
- O Mini-Campo Magnético: No canto superior esquerdo, existe um mini-playfield onde você controla a bola apenas usando imãs (The Power), tentando marcar um jackpot sem o uso de flippers convencionais.
- O Relógio Analógico: Um relógio mecânico real no centro da mesa que marca o tempo dos modos de jogo e indica o progresso do jogador.
- A Máquina de Chicletes (Gumball Machine): Um mecanismo físico que armazena bolas e as libera durante o jogo, sendo um dos brinquedos mais icônicos da história do pinball.
- Recorde de Produção: Foram fabricadas aproximadamente 15.235 unidades, um número astronômico para uma mesa tão complexa e cara.
Gameplay e Estratégia: O Desafio de uma SuperPin
Jogar em uma Twilight Zone exige muito mais do que reflexos rápidos; exige estudo das regras de pinball e uma estratégia de gerenciamento de riscos.
Estilo de Jogo: Stop-and-Go vs. Chaos
A TZ é predominantemente uma mesa de estilo Stop-and-Go. Isso significa que a bola frequentemente para em buracos, travas ou na máquina de chicletes para que animações ocorram no display matricial (DMD). No entanto, quando a Powerball entra no playfield, o ritmo se torna frenético e imprevisível.
Dificuldade para Iniciantes e Profissionais
- Iniciantes: Podem se sentir intimidados pela quantidade de informação e pela facilidade com que a bola se perde nas laterais (outlanes). O jogo é punitivo com tiros mal calculados.
- Profissionais: Adoram a TZ pela profundidade das regras. Maximizar os multiplicadores e chegar ao modo final, o “Lost in the Zone” (o maior wizard mode da época), exige uma precisão cirúrgica.
Os Tiros Mais Desafiadores
O tiro na rampa da direita para travar a bola e o tiro no “Piano” são fundamentais, mas extremamente estreitos. Errar o tiro da rampa costuma mandar a bola direto para o centro, resultando no temido drain.
Por que a Twilight Zone continua no Topo?
Mesmo décadas após seu lançamento, a Twilight Zone costuma figurar no Top 3 do ranking mundial da Pinside (a bíblia do pinball). O motivo é simples: ela oferece camadas. Um jogador casual se diverte com o tema e os sons, enquanto o entusiasta passa anos tentando dominar cada nuance das 14 “portas” do painel central.
A manutenção dessa máquina de pinball é conhecida por ser um desafio à parte para os donos, devido à complexidade do relógio e dos sensores magnéticos, mas o esforço vale a pena. Ter uma TZ em perfeitas condições é o auge de qualquer coleção de fliperama.
Conclusão
A Twilight Zone de 1993 é a prova de que o pinball é uma forma de arte mecânica. Ela combina narrativa, engenharia de ponta e um desafio que nunca envelhece. Se você tiver a chance de jogar uma dessas em um evento ou casa de jogos, não perca a oportunidade de entrar nessa quinta dimensão.
E você, já teve o prazer (ou o desespero) de jogar com a Powerball? Qual foi a sua maior pontuação ou o modo de jogo mais difícil que você já completou? Deixe seu comentário abaixo e vamos manter viva a cultura do pinball no Brasil!








