Se existe uma franquia que define a cultura pop dos anos 80 e início dos 90, essa franquia é De Volta para o Futuro. Enquanto Marty McFly e o Doutor Brown viajavam pelas décadas a bordo de um DeLorean modificado, nos fliperamas do mundo real, a Data East tentava capturar essa mesma magia em forma de metal, madeira e luzes de neon. Lançada em 1990, a máquina de pinball Back to the Future tornou-se um item de desejo não apenas para jogadores casuais, mas para colecionadores que buscam uma fatia da nostalgia cinematográfica.
Neste artigo, vamos mergulhar nas engrenagens dessa máquina icônica, explorando desde a sua jogabilidade até as curiosidades de bastidores que a tornam única no universo do pinball clássico. Prepare o seu capacitor de fluxo, pois a nossa viagem começa agora.
O Contexto: A Data East e a Era de Ouro do Pinball Licenciado
No início da década de 90, a indústria do pinball estava em ebulição. A Data East competia ferozmente com gigantes como a Williams e a Bally, e sua estratégia era clara: apostar alto em licenciamentos de blockbusters. Foi nesse cenário que o pinball Back to the Future nasceu.
A máquina chegou ao mercado no mesmo ano de lançamento de De Volta para o Futuro Parte III, fechando a trilogia com chave de ouro. O objetivo era simples: transportar o jogador para dentro da narrativa de Robert Zemeckis. Ao apertar o botão de start, você não estava apenas lançando uma bola; você estava tentando atingir as 88 milhas por hora necessárias para a viagem no tempo.
O Design e a Estética: Luzes, Cores e uma Polêmica Curiosa
Visualmente, a Back to the Future é uma explosão de cores vibrantes. O gabinete e o backglass (o painel traseiro iluminado) são instantaneamente reconhecíveis. No entanto, se você olhar de perto para o personagem de Marty McFly no vidro, notará algo estranho.
O Mistério do Rosto de Michael J. Fox
Uma das curiosidades mais famosas entre os entusiastas de pinball é que o rosto de Marty McFly na arte original não é exatamente o de Michael J. Fox. Devido a questões de licenciamento de imagem na época, a Data East não conseguiu os direitos para usar a semelhança exata do ator.
Para contornar o problema, o artista Paul Faris teve que usar seu próprio filho como modelo para o personagem de Marty. O resultado é uma versão “genérica”, mas que ainda assim captura a essência do jovem aventureiro. Já Christopher Lloyd, o eterno Doc Brown, teve sua imagem licenciada sem problemas, aparecendo com destaque no centro da arte.
O Playfield: O Caminho para 1985
O campo de jogo (playfield) é uma lição de design de transição. Ele mantém a simplicidade das máquinas dos anos 80, mas já flerta com a complexidade que viria a definir a década de 90. O destaque visual, sem dúvida, é o modelo do DeLorean posicionado estrategicamente.
Os alvos são claros e bem distribuídos, focando em elementos centrais da trama:
- A torre do relógio de Hill Valley.
- As rampas que simulam os trilhos de trem do terceiro filme.
- O medidor de velocidade que culmina na “Time Machine”.
Gameplay: Simplicidade que Vicia
Diferente de máquinas modernas que possuem regras tão complexas quanto um manual de física quântica, o pinball Back to the Future da Data East foca na diversão imediata. Isso a torna uma excelente porta de entrada para quem está começando a se interessar pelo hobby.
O Multiball e as Missões
O grande objetivo do jogo é ativar o Multiball. Para isso, o jogador precisa completar sequências específicas de alvos para “abastecer” o capacitor de fluxo. Quando as duas bolas entram em jogo simultaneamente, a adrenalina sobe e a iluminação da máquina muda, criando um efeito visual de aceleração temporal.
Além disso, a máquina recompensa o jogador por atingir as rampas com precisão. Existe uma satisfação única em ouvir o efeito sonoro de viagem no tempo quando a bola atravessa a rampa principal. É um gameplay fluido, rápido e, acima de tudo, honesto.
A Trilha Sonora: Onde está o Huey Lewis?
Se você é fã da trilha sonora original, deve estar esperando ouvir “The Power of Love”. No entanto, aqui temos outra curiosidade de licenciamento: a música de Huey Lewis and the News não está presente.
Em seu lugar, a Data East utilizou uma composição original inspirada no tema de Alan Silvestri e sons que remetem ao sintetizador clássico dos anos 80. Embora a falta do hit principal possa decepcionar alguns puristas, a trilha sonora composta por Brian Schmidt é de altíssima qualidade para o hardware da época e mantém o clima de urgência e aventura.
Manutenção e Valor de Mercado: Vale a Pena Ter Uma?
Para quem pensa em adquirir uma máquina de pinball da Data East, o modelo Back to the Future é considerado uma peça de “médio porte” em termos de investimento. Não é a mais barata do mercado, mas também não atinge os preços astronômicos de modelos como The Addams Family ou Twilight Zone.
Pontos de Atenção na Restauração
Se você encontrar uma dessas para comprar, alguns itens merecem inspeção rigorosa:
- O Display de Pontuação: A Data East utilizava displays de plasma que podem “esgotar” com o tempo. Verifique se não há falhas nos dígitos.
- Rampas de Plástico: Com o impacto constante das bolas de aço, as rampas podem rachar. Peças de reposição originais são raras, embora hoje existam reproduções em 3D de alta qualidade.
- Desgaste do Playfield: A área próxima aos “flippers” costuma sofrer com o atrito. Uma máquina com o verniz preservado é um achado valioso.
Além disso, a eletrônica da Data East é conhecida por ser robusta, mas exige cuidado com o vazamento de pilhas na placa-mãe (o terror de qualquer colecionador). Substituir o suporte de pilhas original por um remoto ou por memória NVRAM é o primeiro passo de qualquer boa manutenção de pinball.
Perguntas Frequentes sobre o Pinball Back to the Future
Quantas máquinas foram produzidas?
Estima-se que cerca de 3.000 unidades foram fabricadas pela Data East. Para os padrões da época, foi um sucesso moderado, o que a torna uma máquina relativamente fácil de encontrar no mercado de usados, comparada a edições limitadas.
Ela é compatível com peças de outras marcas?
Algumas peças mecânicas, como bobinas e borrachas, podem ser intercambiáveis ou encontradas em lojas especializadas em peças para pinball. No entanto, componentes específicos de design e placas eletrônicas são exclusivos da arquitetura Data East.
O jogo é muito difícil?
Não. Ele é considerado um jogo de “nível médio”. O layout é aberto e as regras são intuitivas. É o tipo de máquina que diverte tanto a criança de 8 anos quanto o jogador veterano que busca bater recordes de pontuação.
Um Clássico Atemporal
O pinball Back to the Future da Data East é mais do que apenas um jogo de fliperama; é uma cápsula do tempo. Ele representa uma era onde o cinema e os jogos mecânicos caminhavam de mãos dadas para criar experiências imersivas.
Mesmo com as pequenas polêmicas sobre a imagem de Michael J. Fox ou a ausência da trilha sonora licenciada, a alma do filme está ali. Cada “clack” das palhetas e cada luz piscante nos transporta de volta para Hill Valley. Se você tiver a oportunidade de jogar uma dessas máquinas em um arcade ou, quem sabe, realizar o sonho de ter uma em sua sala de jogos, não hesite. Afinal, como diria o Doutor Brown: “O futuro ainda não foi escrito. Por isso, faça dele um bom futuro!”








